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Uma questão de comunicação

Ingênuo de nascença, sempre acreditei que somente os jornalistas políticos e os analistas econômicos, a maioria jornalistas, haviam se apropriado de incorrigíveis vícios de linguagem, muletas verbais que costumam suprimir expressões e empobrecer o discurso.

Pois, se você, caro leitor, ainda não se deu conta disso, preste atenção nos comentários, análises e pitacos dos especialistas. A muleta em questão é justamente o termo questão, usado indiscriminadamente quase sempre por falta de vocabulário. Repare: para os comentaristas políticos, existe a questão do partido, a questão da coligação, a questão da Petrobrás, a questão dos cargos do segundo escalão. Na economia, a mesma coisa. Os macroanalistas seguem o desmedido rito de resumir os fatos assim: a questão da inflação, a questão da crise econômica, a questão do ajuste fiscal. Para os leigos, o economês ganhou uma dificuldade adicional.

Mas, não são apenas seletos profissionais dispostos a massacrar a palavra questão e a ofender a Língua Pátria. Sim, se existem tantas possibilidades na nossa Língua, por que, então, a legião dos usuários do termo em questão só cresce? Os sociólogos de plantão, os colunistas de moda, de gastronomia, de cidades, a autoridade, o âncora do jornal da manhã e o narrador esportivo que se superou. Ao se referir ao jogador que levou as mãos ao joelho depois de uma dividida, mandou essa: ele deve estar sentindo alguma questão no joelho.

Refletindo sobre a frase, logo imaginei milhares de pessoas na porta dos hospitais públicos aguardando em longas filas por estarem sentindo muitas questões, em várias partes do corpo, provavelmente ansiosos por atendimento.
No mundo corporativo, estamos caminhando para a guilhotina linguística. As já cansativas e intermináveis reuniões ficaram agora mais chics. Todo mundo resolveu usar o vocábulo questão para se expressar. E o fazem, digamos, com certo ar de eloquência. Longe disso! Tratam de temas estratégicos como se fossem banais e referem-se ao orçamento, por exemplo, como a questão do budget. E tem mais: a questão do mercado, a questão do cliente, a questão do projeto.

O repertório limitado empobrece o discurso e produz ruídos desnecessários na comunicação, já que não se aprofunda. Os gramáticos poderão argumentar que trata-se de uma língua viva, sujeita ao sabor das expressões orais naturalmente incorporadas ao nosso dicionário. Mas a palavra questão já é parte do vernáculo e, se existem de fato trezentas mil palavras na Língua Portuguesa, presumo que os sinônimos poderiam ser a salvação para uma comunicação mais clara e objetiva.

O dicionário nos aponta 76 sinônimos para cinco sentidos diferentes de questão. Pergunta, pode ser indagação ou interrogação. O assunto pode ser substituído por conteúdo, argumento, tema, tese e o problema poderia ter variações tais como dificuldade, embaraço, obstáculo, impedimento, apenas para citar alguns. Mas, não. Tudo se resume a questão.

O poeta dizia que tudo era uma questão de manter, a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. É preciso esforço para ignorar o termo que tomou conta do Brasil como se fosse um vírus, uma epidemia linguística sem controle. Não é necessário ser erudito para se comunicar bem. Temos inúmeros exemplos na nossa história recente de iletrados bons de oratória. Às vezes, o bom senso ajuda. Porém, uma dúvida me intriga, em particular: quando estaremos linguística e espiritualmente preparados para uma revolução das expressões verbais em nome da originalidade e da boa, velha e eficiente comunicação social? Eis a questão!



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